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Para aqueles que não sabem, além de escrever, trabalho em um comércio de bebidas e desde muito novo conheço o ambiente de um bar. Meu pai tinha um bar, onde ouvi as mais diversas conversas, muitas delas com pessoas bêbadas contando histórias extraordinárias, e por conta disto, consigo distinguir quando uma pessoa está mentindo, ou se é o álcool falando. Lhes falo isso, pois na tarde de hoje (15/05/18) ouvi uma história que fez eu esquecer de toda a pesquisa que estava fazendo para escrever para o NEA, e querer compartilhar ela com vocês.

Só para constar, não darei nome as pessoas envolvidas, pois não lhes pedi autorização, então por uma questão de respeito, não falarei nada que possa identifica-los. 

(Fonte da Imagem: Google Imagens - Adaptado)

Hoje o tempo está fechado aqui em minha cidade, nublado com uma garoa grossa, e isso faz com que o movimento em meu comércio diminua, por conta disto, eu pesquisava algum assunto para escrever no blog, quando no inicio da tarde um amigo meu veio aqui matar tempo e jogar conversa fora, fazia tempo que não o via, tanto que ele não sabia que eu escrevia para o NEA, e foi ao contar para ele que estava justamente pesquisando sobre óvnis para meu texto desta semana, que entrou em meu comercio um senhor, ele ouviu nós conversando sobre isso, pediu o que queria, me pagou, dei a ele o troco e ele já estava quase saindo de meu comércio, quando decidiu voltar, e olhou para nós, em sua expressão tinha algo como uma aflição, como se temesse a nossa reação ao que ele ia falar, mas depois de hesitar por milésimos de segundo, ele diz: 

- desculpe me intrometer, mas vocês estão falando sobre disco voador e coisa assim? 

Eu respondi positivamente, e sem nos dar chance de questionarmos o porquê da pergunta, ele foi tomando a palavra novamente: 

- então posso contar algo para vocês? 

Assentimos e ele, agora com uma expressão séria começou a contar: 

- isso foi lá nos anos 1975, eu recém havia começado a trabalhar de motorista de caminhão, ia puxar hortaliças dos colonos do interior para o que hoje é o Ceasa/RS em Porto Alegre, e por conta disto começava a recolher as hortaliças nas fazendas antes das 4 horas da manhã. Fazia isso pelo menos três vezes na semana. E foi numa sexta-feira que vi algo muito estranho. 

Eu pude perceber que enquanto ele falava, se arrepiava, como se estivesse sentindo o que já sentiu em outrora, aquilo era interessante de ver, pois ele parecia querer esconder tais detalhes de mim e de meu amigo, mas era nítido, não havia a possibilidade de não notarmos as reações dele. Mas ele continua a relatar sua história: 

- eu havia demorado para carregar uma carga de bergamota, pois eram muitas caixas e como eu trabalhava sozinho, eu e o dono das frutas “paleteamos (carregamos)” muitas caixas, e tomamos um suador, era uma noite quente, sem vento, e depois que carregamos, logo sai, pois tinha mais uma coleta a fazer, e havia marcado para as 4:30 da manhã e já eram 4:20hrs, eu já estava atrasado, pois para chegar nessa outra fazenda levaria no mínimo 20 minutos ou mais pois todo o trecho era em estradas de terra e sem iluminação. 

Arranquei o caminhão e acelerei o máximo que eu podia andar sem comprometer a carga, os faróis eram a única fonte de luz, sem eles somente a lua e as estrelas iluminariam o caminho esburacado que levava a próxima fazenda. Cheguei mais ou menos na metade do caminho e, ao passar por uma roça de milho, percebi que havia ao fundo uma luz muito forte, cheguei a pensar que estava ainda mais atrasado que realmente estava e que aquela luz era o sol nascendo, mas então ao olhar melhor percebi que além de estar longe da hora do sol nascer, aquele lado não era onde o sol nasce. Demorei a me dar conta de que aquilo era algo fantástico, tentava imaginar uma explicação, mas não obtive uma, pois logo em seguida, aquela luz começou a se mover, fazendo os pés de milho balançar, talvez pelo vento, mas isso não posso garantir, pois parei o caminhão para observar aquilo, e desci, não havia nem sequer uma brisa, mas o milharal parecia dançar. Eu sabia que a luz se movia pela sombra dos milhos que iam e vinham, o que me dava a impressão de que aquela luz subia e descia, mas devido ao movimento do milharal não posso confirmar isso. 

Nessa parte da história, o senhor chegava a engolir a seco, seus olhos passavam uma seriedade, e o jeito de contar a história parecia ser algo ainda vivo em sua memória, e então, depois de uma pequena pausa, que provavelmente serviu para que ele se aprontasse para contar algo que realmente o marcou, e prosseguiu desta vez com a voz mais séria: 

- aquela luz depois de um tempo começou a fazer um movimento diferente, o milharal parou, e as sombras que via já não chamavam a atenção, pois o que se destacava era os feixes de luz que passavam entre os pés de milho, e para meu pavor aquela luz parecia vir em minha direção. Com uma sensação indescritível de medo, pulei para dentro do caminhão fechei a porta, dei arranque e acelerei, mas apesar de chegar a mais de 60km/h, aquela luz parecia me seguir, eu ouvia as caixas de bergamota caindo devido a trepidação do caminhão por causa da estrada de chão, até que simplesmente aquela luz se apagou, eu freei, pois ao aquela luz se apagar fiquei cego por alguns instantes pela mudança de luminosidade. 

Meu coração parecia que ia sair do peito, pensei em olhar as caixas de bergamota que haviam caído enquanto fugia da luz, mas não tive coragem de fazer isso, minhas pernas tremiam, e então decidi seguir para a próxima fazenda, e lá ver se voltava para tentar recuperar algumas das caixas que perdi. 

Liguei o caminhão, olhei para meu relógio e vi que já se passava das 4:30hrs, mas decidi seguir em meu ritmo, já estava atrasado mesmo. Os faróis do caminhão voltavam a ser a única luz que iluminava o caminho, mas eu sentia algo estranho, que acreditei ser por causa do medo, mas ao chegar em uma grande reta de estrada, estranhei a escuridão, eu conhecia aquele lugar, sabia que apesar de ser uma grande reta, a vegetação aos lados da estrada a faziam muito escura, mas estava diferente, diminui a velocidade, mas logo percebi que realmente aquele escuro estava muito diferente. 

Eu andava lentamente, e comecei a perceber que a luz dos faróis do caminhão pareciam não passar de um lugar da estrada, não sei ao certo como me explicar, mas a estrada recebia luz até certo ponto, e depois era tudo uma parede preta, pensei em parar, mais não parei, simplesmente não sei o porque, mas continuei naquele ritmo, minhas pernas tremiam, mas meu pé se fixou num ponto no acelerador, que mantinha a aceleração mínima para andar, a menos de 10km/h, e nesse embalo, vi a luz do farol iluminar apenas 5 metros a frente do caminhão, depois iluminar 4 metros, 3 metros, 2 metros, 1 metro, eu não conseguia me mexer, e então vi a frente do caminhão entrando por aquela parede negra, aos pouco eu estava dentro daquela escuridão total, eu estava completamente cego, não conseguia ver nada, no tato, fui até o porta luva onde havia uma pequena lanterna, a peguei e tentei liga-la, mas nada aconteceu, eu olhava ao meu redor, mas não havia nenhum vestígio de luz, cheguei a cogitar a possibilidade de estar cego, mas então percebi bem ao longe um pequeno brilho, e só assim me lembrei que estava acelerando. 

Aos poucos aquele brilho pareceu aumentar, e ia aumentando conforme eu ia andando, demorei para perceber que aquela luz, nada mais era que os faróis do caminhão, mas eu via a luz dos faróis ao longe, e não conseguia ver minha mão que botava em frente aos meus olhos, prossegui e nada mudou, até o ponto onde fui saindo do que quer que era aquela coisa, primeiro os faróis ficando mais claros, depois lentamente pude ver a frente do caminhão saindo, ergui minha mão em frete aos meus olhos, e ainda me arrepio todo ao lembrar que vi ela saindo do breu para a luz e naquele instante olhei para o lado e pude ver o banco do carona como se surgindo do breu, e a lanterna ir saindo também, inclusive pude ver ela ligada ao sair daquela escuridão. 

Ao me dar conta, olhei para frente, a reta já estava se acabando, eu havia andado cerca de um quilometro no total breu, mas ao sair dele pude ver o sol nascendo, olhei no relógio e já eram 5:45hrs, confuso parei e olhei para trás, a estrada estava normal, o sol ainda não havia nascido, mas já começava a iluminar tudo. Não consigo entender, não sei o que aconteceu nesses 75 minutos, as vezes tento me convencer de que isso foi um sonho, mas foi real demais, eu sei o que vivi. Depois desse dia, não voltei mais a dirigir de madrugada, fui obrigado a procurar outro emprego, pois até hoje, não consigo dirigir sozinho à noite. 

Eu e meu amigo ficamos sem reação, pois aquela história visivelmente mexeu com aquele senhor, ele não tinha motivo algum para mentir aquilo para nós, e apesar de ele estar em meu comércio para comprar uma garrafa de cachaça da mais barata, ele não estava embriagado, e eu acredito no que ele contou, e pela simplicidade dele, sei que não inventou tal história, e duvido muito que ele tenha acesso a programas ao estilo do History Channel, que contam histórias fantásticas tal qual a dele e assim ele tenha copiado tudo isso de um programa tipo alienígenas do passado. 

Eu acreditei nele, e vocês o que acham?

Publicação por: Mario Resmin

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