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Olá, meu nome é Riley. Só quero dar um pouco de contexto antes de explicar o que aconteceu.

Até conhecer minha noiva eu nunca tinha conhecido o mundo de verdade. Minha família sempre foi do tipo que vai acampar, faz piqueniques ou qualquer outra atividade que estivesse no máximo a alguns minutos de carro. As coisas mudaram de verdade quando eu a conheci, vamos chamá-la de “Rachel”. Eu queria que tivesse uma maneira mais fácil de dizer isso, mas vamos entender apenas que ela ganha o suficiente para que nós possamos sair e fazer coisas incríveis e criar memórias igualmente incríveis. Eu a amo muito, ela é maravilhosa e, claramente, alguém “pra casar”.


Vou poupar vocês das bobagens e ir logo para o que está se passando hoje. Nós estamos num cruzeiro! É a minha segunda vez num cruzeiro, mas a primeira em um que dura mais de uma noite. Nossos amigos Bill e Sarah estão aqui conosco. Estamos chamando de cruzeiro de aniversário, já que saímos no dia do aniversário de Bill. Eu queria estar aqui falando pra vocês das festas incríveis, coquetéis na piscina e tudo mais que tem no cruzeiro. Mas eu não estou.


Eu vi algo na primeira noite aqui e eu não consigo dormir desde então. Hoje é o dia 2 dos 4 dias que teremos que ficar no cruzeiro. Eu estou confuso, mas na esperança de que alguém aqui pode me ajudar. Se você ja esteve num cruzeiro, sabe que os quartos são minúsculos, o café é mais velho que o navio e o pacote de canais de TV é extremamente limitado.


Era por volta das 10 da noite e nós já estávamos deitados tinha uns 30 minutos. Eu olhei para Rachel e sua respiração calma me mostrava que ela estava num sono profundo. Ainda animado por ter saído do porto (e talvez um pouco enjoado), eu decidi ligar a TV pra relaxar. Eu peguei um controle velho que estava no criado mudo e senti um estranho conforto ao ver a fita isolante que segurava as peças. Como eu vim de uma família de uma classe mais baixa, coisas consertadas dessa forma eram algo comum em casa. Imediatamente eu comecei a relaxar e zapear pelos canais.


O Canal 1 era dedicado aos detalhes sobre o navio (onde nós estávamos, a que velocidade, onde estávamos indo etc). Não levou muito tempo para que eu me entediasse e apertasse o velho controle. O barulho de “clack” que o botão de passar o canal fez quando eu apertei deixava claro que ele não era usado com frequência.


O Canal 2 era sobre os eventos do barco. O coordenador do cruzeiro, Saul, aparecia na tela falando sobre as atividades dos próximos dias. Ele era um indivíduo controverso, ele é algo que eu chamaria de “exaustivamente entusiasmado”. Seu rosto gritava “Eu estou fazendo isso a tempo demais”, ao mesmo tempo que sua voz animada transmitia detalhes sobre como se joga shuffleboard. Até mesmo o display da tela dava um estranho ar cliché. Ele claramente estava em frente a um fundo verde, já que a vista e as sombras não afetavam seus movimentos meio eufóricos.


Eu sentia meus olhos pesando e sabia que não demoraria muito até que eu me juntasse à Rachel numa longa noite de sono.


Eu passei o canal mais uma vez.


Eu queria não ter passado. Eu queria ter caído no sono. Eu queria que fosse um sonho.


Mas eu não foi isso que aconteceu.


A tela mudou para o canal seguinte, mas não era o canal 3. Era o canal 228. Eu não pensei muito sobre isso no pequeno momento entre ler o número do canal e a minha mente interpretar visualmente o que a tela estava mostrando.


Não era como os canais anteriores. Estava granulada, em preto e branco, e não tinha som.


A primeira vista eu pensei que fosse apenas um filme antigo. Um daqueles sem som, com caixas de diálogo para preencher o vazio. De qualquer forma, eu me senti intrigado e menos sonolento.


Eu comecei a assistir. O único som era das ondas que se quebravam no casco do navio.


A tela mostrava uma cama velha de hospital vista de cima. O quarto parecia escuro e rústico, tinha um chão de cimento e uma luz nada favorável. Havia um homem deitado de cueca na cama. Ele estava vivo, baseado nos lentos movimentos que ele fazia (nada além de um vagaroso movimento de cabeça de um lado para o outro), mas eu não posso dizer com certeza em que estado de consciência ele estava.

Ele não estava apenas amarrado, ele parecia estar acorrentado. Suas pernas estavam presas uma na outra. A corrente prendia suas pernas à grade debaixo da cama. Seus braços estavam presos às laterais da cama, com as palmas para baixo. Outra corrente prendia seu pescoço à cama.

De cada lado estavam dois homens que eu teria presumido que são médicos, mas eles não estavam usando jaleco, eles estavam de terno. Bons ternos. Um deles parecia mais gorducho e tinha o cabelo penteado para trás. Ele parecia estar por volta da meia-idade pelo que eu conseguia ver. O outro homem parecia um oposto. Cabelo muito escuro, alto, esguio e visivelmente mais jovem. Eu diria que ele tem uns 20 e tantos. Ainda assim era difícil dizer com a qualidade tão ruim do vídeo. Eles estavam de pé com os braços para trás e estavam observando o homem deitado na cama.

Eu vi outro homem aparecer na tela. Esse eu posso dizer que parecia muito com um médico. Ele pelo menos estava com um grande jaleco branco e trouxe vários objetos cortantes na bandeja que ele trazia. Ele era completamente careca e tinha uma barbicha e óculos estilo fundo de garrafa.

O médico pegou um dos objetos da bandeja e o examinou, virando para um lado e para o outro com os dedos. Ele, então, olhou para o homem na cama. Eu via a boca dele se mexendo, mas não conseguia entender o que ele estava falando.

Com um movimento rápido, o médico passou o objeto cortante da metade do braço do homem até o pulso. Eu esperei que o homem se mexesse, mas nada aconteceu. Os homens bem vestidos também não tiveram reação.

Sangue começou a pingar do braço esquerdo enquanto o médico ia para o outro lado do corpo.

Eu sabia o que iria acontecer. Outro movimento rápido e a segunda fonte de sangue começou a gotejar. Eu não tinha notado até então, mas haviam dois baldes quadrados embaixo de cada braço para pegar o sangue. A poça de sangue escuro que fazia um forte contraste com a cor branca do balde. Os três homens que estavam em pé apenas observavam o homem da cama.

O que aconteceu depois foi o que me deixou sem dormir.

Eu devo ter encarado a tela por uns 2 ou 3 minutos enquanto a corrente de sangue que fluía do corpo do homem se transformava em um gotejar vazio. Eu notei que sua cabeça não se movia mais. Eu não sei porque eu continuei assistindo. Eu comecei a sentir uma dúvida se isso realmente era um filme de terror antigo. Talvez fosse uma fantasia mórbida que eu tinha, ou talvez eu estivesse me segurando na minha última esperança de que a qualquer momento os créditos iriam aparecer.

Nesse momento nós começamos a passar por uma maré revolta e eu pude escutar uma onda forte batendo e o barco inclinando levemente para a esquerda. Eu estava com os olhos vidrados na tela e gelei quando vi o sangue que enchia os baldes inclinar para esquerda em sincronia.

Isso não era um filme. Isso era um stream. E podia estar vindo de qualquer lugar do navio. Imediatamente, tentando não fazer barulho, eu peguei o guia da televisão pra procurar o que deveria estar no canal 228, mas ele só falava de canais de 1 a 30.

Você já teve a sensação de estar sendo observado? Quando você sente um arrepio no pescoço e sua garganta seca? Quando sua respiração soa como um furacão e qualquer movimento que você faz parece fazer um barulho tão alto quanto uma porta rangendo?

Eu tive. Eu tive essa sensação.

Eu estava encarando o guia. Eu prendi a respiração e, devagar, movi minha cabeça. Eu escutei minhas juntas e minhas vértebras rangendo quando meus olhos encontraram a tela. Os três homens estavam me encarando. Eu travei, eu não conseguia nem pensar.

A imagem virou estática.

Eu não faço ideia de que porra foi isso e nem de que caralho que eu devo fazer. Eu não quero contar para a Rachel e acabar com a viagem caso seja apenas um programa de assassinato e mistério.

Mas eu tenho a terrível sensação de que não era. E por que caralhos eles estavam olhando para a câmera? Efeito dramático? Parecia que eles estavam olhando para mim através da tela. Eu olhei o catálogo de atividades do cruzeiro e não vi nada relacionado a assassinato e mistério. Eu estou assustado demais para perguntar pra alguém que trabalha no navio. Acho que vou falar com Bill e ver o que ele acha. Ele é um dos meus melhores amigos e eu sei que posso confiar nele. É questão de tempo até que a falta de alimentação e as olheiras me denunciem de qualquer jeito.

Talvez falar com ele faça eu me sentir melhor e eu consiga dormir esta noite.

Talvez um drinque acalme minha mente por enquanto.


Traduzido por: Alicia
FonteReddit
De: Não Entre Aqui


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