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Tenha a certeza de ter lido o capítulo anterior antes de ler este conto.


Órfão e preso em uma instituição de tratamento mental. Taxado como louco e suspeito da morte de meus próprios pais. Tive de seguir o sistema para que pudesse ser livre outra vez. 

A garota que sempre me perturbou desapareceu por completo desde aquele dia, dia esse que fui levado para um sanatório, que fui acusado de ser o responsável pela morte do homem e da mulher que me criaram, meus pais. 

Se não fosse o fato de ser de menor, provavelmente, eu estaria preso nos dias de hoje. 


Disseram eles que eu tinha problemas mentais, um certo tipo de esquizofrenia que me fazia ver, sentir e ouvir coisas que iam além da realidade. Sendo assim, as atitudes tomadas por mim sempre foram baseadas no que eu vi mas, mesmo que eu tenha lhes explicado o que realmente aconteceu, as informações divergiram e fui jogado para aquele lugar onde me dopavam todos os dias. 

Bom, anos se passaram após isso e hoje sou de maior, deixei aquele lugar há mais de dois anos e talvez eles estivessem certos sobre mim, talvez eu realmente tivesse problemas mentais já que depois de ficar tanto tempo lá, tomando aqueles remédios, fazendo tratamento psicológico e psiquiátrico, deixei por completo de ver aquela garota, inclusive em meus sonhos. 

Meu caso foi arquivado e fui liberto a sociedade, mas todos os dias tenho que tomar alguns comprimidos. Arrumei um trabalho, ganhei algum dinheiro e me mudei de cidade. 

Mesmo com o tratamento que tive, nunca esqueci o que vi, mesmo que dissessem o contrário. 

E, algum tempo atrás, tive a confirmação de que não era coisa da minha mente, que Ela, realmente existe, mas não mais apenas em meus sonhos. 

Bianca é o nome de minha namorada. Eu gosto muito dela e ela é uma ótima pessoa para mim. Nos conhecemos logo que eu mudei, assim que comecei a trabalhar, ela trabalha na mesma empresa que eu. 

- Sonhei com uma garotinha amor. Foi um sonho bem estranho. Essa garota nos observava enquanto fazíamos amor. Ela estava do lado de nossa cama, mas não era como se nós nos importássemos com ela, e continuamos nossa transa até o momento de nosso orgasmo mútuo. 

Eu gelei quando a Bianca disse isso. Meu coração disparou na hora, senti um calafrio tremendo. Bianca não sabe sobre essa garota. Tudo o que ela sabe é que eu passei por um longo tratamento, porém, ela acredita que esse tratamento era em função do impacto causado pela morte de meus pais. 

Eu desconversei, tentando mudar o assunto e consegui. 

Algum tempo passado após isso tive a notícia que mais me alegrou em toda a minha vida; Bianca estava grávida. Ao fazer o ultrassom, descobrimos que nosso bebê seria uma menina, então começou a preparação para a vinda de nossa querida filha. Roupas, brinquedos, fraldas, enfim, tudo o que uma criança recém nascida necessita. 

Tempos depois já era quase hora de nossa filha vir ao mundo e, uma noite dessas em que dormia com minha querida, acordei no meio da noite com um barulho vindo da cozinha. Era como se alguém tivesse derrubado todos os talheres no chão. A Bianca não acordou com o barulho, então me levantei para averiguar o ocorrido. 

Tudo estava normal, exceto quando retornei ao quarto, Bianca não estava mais lá. Intrigado chamei por ela e logo comecei a me desesperar ao ver que não recebia resposta. Saí para fora de casa, chamando por ela, bati na porta de vizinhos, mas o mais estranho é que nenhum deles abriu a porta, era como se nem estivessem em casa. 

Não havia ninguém nas ruas, e a luz laranja dos postes mal iluminavam o caminho pelo qual andei em busca desesperada e frenética por Bianca, mas não a encontrei. Voltei para casa e peguei o celular, disquei para a policia e a surpresa:

Tudo o que ouvi da chamada telefônica foi um choro de bebê bem baixinho, chiado, seguido de um gemido angustiante e um pedido em suspiro de dor suplicando por ajuda. Era ela, minha namorada tinha dado a Luz em algum lugar e estava precisando de ajuda. Antes que eu pudesse falar alguma coisa a ligação caiu, todas as luzes apagaram e meu celular literalmente morreu. 

Puta merda. Eu não sabia o que fazer. Procurei uma lanterna mas estava sem pilhas, enquanto as procurava na gaveta escutei novamente o choro e saí correndo para fora de casa sem nem ao menos ter encontrado as pilhas. Ao passar pela porta de entrada me espantei ainda mais:

Minha mulher estava em pé, na frente de casa, com nossa filha em seu colo segurada por apenas um de seus braços, o outro estendia-se para a esquerda, mostrando estar de mãos dadas com Ela, a garota, que dessa vez pude ver o rosto. E ao vê-lo, me senti fraco e desorientado mas, mesmo assim, caminhei em direção a minha mulher que continuou parada. Antes que eu pudesse alcançá-la, apaguei. 

Eu estava novamente naquele banco de praça, iluminado por um único poste de luz laranja, todo meu redor inundado em breu e Ela sentada ao meu lado com minha filha em seus braços. Ela se levantou e virou-se de frente para mim. 

Lembra-se de mim agora? Irmão.

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