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Os eventos que irei descrever agora, podem parecer de certa forma impossíveis aos olhos de alguns, mas deixo aqui minha nota de veracidade em relação aos fatos que irei mencionar a seguir. A propósito, eu falo palavrão pra cara***.

Tudo, absolutamente tudo, é contingência de algo que fazemos, seja propositalmente ou não. Eu, Matheus Muniz, 19 anos, descobri algo que ninguém deveria saber.

No dia 22 de janeiro de 2019, eu me mudei pra cidade de Assis após o término de um relacionamento de 2 anos. Havia passado em um concurso de certa forma promissor, visto que ele me abasteceria de conhecimentos até então abissais na minha área facultativa (Direito).

Eu me encontrava muito animado para a mudança, finalmente estaria morando sozinho, não iria dever satisfações para ninguém e poderia encher a cara todo santo dia, como todos os universitários pensam.

Aluguei um apartamento que se localizava exatamente entre a faculdade e o trabalho, por tanto eram 2km até o trabalho e 2km até a faculdade, e cerca de 2 quarteirões de distância havia um cemitério, por mais clichê que isso pareça, porém ele não tem nenhum papel de suma importância na história. O local não era lá luxuoso, ficava no segundo andar e parecia uma prisão. O condomínio era bem iluminado e extremamente seguro, subia as escadas em direção ao apartamento e antes de chegar á porta existia uma grade trancada com cadeado, como havia em todos os outros. Ou seja, privacidade em dobro, ninguém poderia expiar pela janela da frente e nem mesmo bater na minha porta com vidros ligeiramente transparentes sem que arrombasse o cadeado.

Adquiri o apartamento 9.

 Por dentro ele era consideravelmente pequeno, havia um quarto, uma cozinha e um banheiro. O quarto era grande suficiente para caber uma cama, um guarda-roupa e ainda sobrar espaço. A cozinha não cabia mais do que um frigobar, micro-ondas e um fogão (é, eu comia na cama, não cabia mesa). E o banheiro... AH O BANHEIRO, que porra minúscula era aquela; Era simplesmente impossível se sentar no vaso sem que suas pernas esbarrassem na parede. Não imaginava que ia sentir tanta falta daquele lugar claustrofóbico.

Minha primeira noite foi bem tranquila, acordei 7 da manhã, pois queria chegar adiantado no primeiro dia de trabalho. Coloquei uma camisa jeans azul piscina (bem gay eu sei, obrigado), uma calça social á medida, e é só isso o que importa. Vocês devem estar se perguntando: “Nossa, onde ele trabalha? Num escritório importante?”. Não, já irei explicar.

Tranquei completamente meu aposento, e fui de carro para o trabalho. Era um dia bem quente apesar da chuva constante, a cidade de Assis é relativamente mal estruturada, então toda vez que chovia havia pequenas inundações por toda parte, pensando agora, foi muita sorte a vela do meu carro não ter tido problemas por passar por toda aquela água no caminho do trabalho. Meu celular reproduzia a música “cidade lunar, do artista Konai”, o que me dava certa sensação melancólica naquele clima.

Comecei a reparar ao meu redor, afinal era uma mudança recente, ainda não sabia me localizar exatamente pela cidade, então cada piscar de olhos surgia uma nova construção ou árvores que eu jamais havia visto na minha vida. Eu estava passando por uma praça, as árvores estavam levemente inclinadas para a direita na direção em que o vento ás jogava, havia algumas pessoas em pé embaixo de uma árvore exageradamente grande tentando se abrigar. Resolvi olhar para frente para ver se já me encontrava próximo do local de trabalho.

Freei abruptamente o carro, os pneus aquaplanaram no que parecia ser uma poça de lama, tinha cerca de 4 carros na minha frente parados com o pisca alerta ligado. Aumentei a velocidade dos para-brisas para que limpasse a água do vidro do carro e conseguisse enxergar o que estava acontecendo. Não obtive sucesso.

Conclui que fosse apenas algum carro enguiçado naquela tempestuosa manhã de segunda-feira. Dei ré, por sorte ainda não havia nenhum carro atrás de mim, e dei a volta no quarteirão.

Cheguei ao meu trabalho com sucesso, todo molhado cheirando roupa úmida? Sim, infelizmente sim.

De cara quase esmurrei o rosto do meu chefe. Vou alterar o nome dele por fins de privacidade. Rodrigo, tinha por volta de seus 38 anos, era bem simpático, mas machista escroto e isso me incomodava muito ao longo das 6 horas de carga horária do trabalho em que ficávamos trancados numa sala com 2 computadores, apenas eu e o Bolsonaro (apelido carinhoso que o dei). No primeiro dia ele apenas me explicou que o local em que eu iria empenhar minha atividade insignificante, era no patrimônio da secretaria municipal de Assis. Assenti diversas vezes fingindo entender tudo que me fora explicado. Com exceção dos números de patrimônios, ele me explicou o passo á passo de como transferir bens patrimoniais públicos para outros locais, utilizando um sistema no computador que eu nem se quer decorei o nome, é, eu sou folgado.

Os números de patrimônio não possuíam um padrão certo, mas começavam todos com uma letra seguida de números, e encerrando com outra letra, como por exemplo: A1234B.

Após essa explicação, Rodrigo me deixou utilizar o computador para meu entretenimento, pois não havia muito o que fazer naquele dia em questão. Abri o site creepypastabrasil, e fiquei cerca de 3 horas ali lendo e respondendo o whatsapp.

Quando deu meu horário de ser dispensado, 14 horas da tarde, o telefone do escritório tocou, senti que talvez devesse ficar mais um pouco, pois poderia ser algo importante no qual meu chefe precisaria de ajuda. Ele atendeu.

Não reparei muito na conversa, mas lembro da seguinte frase, que infelizmente fora me fazer sentido bem mais tarde.


“Sim, foi transferida. Abasteça locais que necessita de alimentação ué, qualquer problema me avise e nós eliminamos o resto. Boa tarde”.

Cheguei em casa, após ter ficado uns minutos a mais no trabalho inutilmente, e fui direto para o banho.

A chuva já havia cessado e o sol estava literalmente me cozinhando como se fosse um animal, talvez eu fosse, porque pra estar fedendo do jeito que eu estava, no mínimo devo ser um porco obeso preparado pro abate.


Saí do banho e resolvi me deitar, não tenho costume de almoçar, o que deveria me deixar bem magro, mas meus 83kgs e 1,74 de altura me diziam que talvez meu destino fosse ser gordo mesmo.

Como ainda não possuía wi-fi em casa, fiquei utilizando meu 3g para olhar o celular e às vezes o instagram. Eu estava em um grupo no Whats chamado “Assis noticias”, só pra saber dos “bafão” que rondavam aquela cidade mal estruturada. Fiquei em choque assim que abri o grupo, eu soava frio, começava a ter uma crise de ansiedade que eu não tinha em tempos, meu olhar ficou petrificado ao ler “Mulher se mata em frente a praça Lincoln durante forte chuva”, haviam fotografias obviamente censuradas, e reconheci imediatamente o meu carro no fundo da imagem, logo atrás de mais 4 veículos.

***

Leia Mais: Eu não como mais carne - Parte 2
Escrito Por: Matheus Muniz
De: Não Entre Aqui

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2 comentários:

  1. muito bem escrito, é otimo ver uma creepy com referências brasileiras.

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    Respostas
    1. E essa não é e nem será a ultima!! obrigada por nos acompanhar!

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